Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011

Fotografia

Emoldurava o curto vestido
pernas longas, desenho e abismo,
remoendo rebuço
com olhar tépido e longínquo
vejo reflexo despido
algo terno se desenha.
Ramo de árvore nas costas,
a blasona de sua condição.

Só um sorriso,
só uma façanha
modelo de negros cabelos.
Entreabro a mira,
acerto a perspectiva,
directo ao corpo...

Sopro click,
capto momento,
sou Cesário.

Domingo, 27 de Março de 2011

Dos filhos segundos

Empenho minha vontade
risonha e tremendamente confusa
mas crente, esta verdade que me remata
que me atira para fora do mega-solo.

A verdade que é um destroço,
pedaço do céu em escopo e a lua faminta
na estranha leveza do ar que me inflama.
Rogo portanto, à ama de Deus que me incendeie,
que de fogo espírito nasça
e que toda minha masturbação pareça algo mais.

Quero que o céu seja lilás, roxo até que não vai mal
e o pátio de minha avó seja terráqueo-batido
mexido de anseios e sonhos limitantes d'imaginações humanas.
Quero ainda casas largas de sua estreiteza
e convencer o estranho da beleza do impuro e abominável.

Rente ao chão a lua e o céu
no mega-solo.
Rebento quente a larva laranjo-avermelhada d'mi.

Segunda-feira, 14 de Março de 2011

A falsa Democracia

O liberalismo com toda a sua filosofia individualista reformulou o papel do Homem comum na sociedade. Teoricamente o surgimento da burguesia levou a que o conceito de súbdito fosse substituído pelo de cidadão. A questão que aqui colocamos e que nos parece de todo relevante é saber até que ponto, na sociedade contemporânea, conseguimos ou não atingir o patamar de cidadãos. Por outras palavras, afinal, o que somos?
Indo de encontro à opinião de António Cândido de Oliveira, julgamos que o cidadão comum não tem a consciência exacta dos seus deveres e direitos enquanto tal. Vamos mais longe admitindo que nunca o cidadão comum terá a noção exacta do seu papel enquanto tal na sociedade. Dada essa falta de consciência admitimos que a grande maioria daqueles que compõem o sistema democrático nunca conhecerão o poder desse mesmo sistema. Poderemos chamar política activa a uma mera delegação de poderes? Certamente que não, logo somos todos cidadãos sem poder e aqui é que reside a questão chave deste texto. O cidadão sem poder poderá ser considerado como tal? Na nossa opinião não, logo tiramos de tudo isto uma conclusão lógica. Ainda não somos cidadãos nem nunca seremos. Somos súbditos e permaneceremos assim enquanto estivermos subjugados a um sistema político democrático. Com isto apenas constato uma realidade e, indo de encontro às palavras de Salazar, não existem Estados democráticos mas sim Estados onde a liberdade é maior ou menor.
O dever do cidadão de mandar activamente não pode ser efectivo num Estado democrático, é aqui que reside o calcanhar de Aquiles do sistema político democrático. Somos súbditos numa democracia já que obedecemos à casta do poder sem participarmos activamente no poder. O povo não é soberano de um Estado daí a soberania una e indivisível nunca residiu e jamais residirá no povo, logo a democracia até aos dias de hoje jamais foi implantada.
Não podemos contudo ignorar que o povo foi ganhando após o 25 de Abril de 74 um poder que fez com que concretamente Portugal caminhasse a passos largos para a utopia do Estado Democrático porém, a partir dos anos 90 do século passado, o dever de participar activamente e indirectamente na vida política foi esquecido pela maioria dos portugueses. Esta subordinação política fez com que entrássemos no século XXI tendo a utopia democrática muito mais longe, à semelhança aliás dos nossos parceiros europeus.
Não podemos renegar que o Estado somos nós mesmos e a responsabilidade das medidas tomadas pela casta governante são também nossas, portanto temos o direito e o dever de hoje, mais que nunca, participar activamente e exercer o poder de uma forma mais directa. Não podemos nunca esquecer que os órgãos de soberania estarão jamais acima dos cidadãos.
Somos súbditos e é nosso destino continuar a sê-lo. Jamais existiu democracia no mundo e o sistema em que vivemos é não mais que um sistema enganador no qual se julga que todos exercemos o poder quando na realidade assim não o é. Este tipo de Estado em que vivemos com as suas intervenções na economia e no quotidiano do cidadão está mais próximo de uma ditadura que propriamente de uma democracia.

Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Artigo de Opinião: O Estado do Ensino Superior


André Rocha
David Vieira
Fábio Silva
Hélder Carvalhal
José Lopes
Luís Cerqueira

Sábado, 29 de Janeiro de 2011

Ter livros só por ter
sem nunca os ler
ou ter livros para não os passar
só para uma prateleira criar.

Que reles existência humana.
e dessa reles existência
mea culpa faço.

Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Cadernos Culturais

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DEUSES:

Inventem o mar,
inventem o céu,
inventem a terra às colheradas!
Por cá tenho literatura
que é a clave espremida da partitura,
música retaliante do som;
Guerra aberta com Deus
a criação que se forma por entre as cabeças
e os rebanhos dormentes que, sem o saberem,
são apascentados por risos adjacentes à troça.
Roça-me musicalmente o ouvido,
sem música, zumbido desintegrado,
chapéu de capitão de mato;
Escravo de Deuses humanos...

O Homem parte, a obra permanece,
a arte resiste;
Os Deuses criam e mandam.
Gente demais silencia, morre sem nunca nascido ter.

André Rocha
14/01/2011